"Quanta saudade , meu Deus, quanta saudade...
Ainda não consigo entender o porque de tudo isso.
O porque de eu não ter meu filho enquanto tantas "mães" por ai abortam, jogam os filhos no lixo, enterram vivos...
Deve ter uma coisa muito errada com a humanidade, não é possível que Deus não veja isso!!
Eu creio em um Deus justo, mas quando vejo tanta injustiça, minha fé vacila.Muitos podem achar que já se passara meses, e que eu deveria superar, mas essas pessoas não sabem como é viver sem sua alma, sem seu coração dentro de você.
E me dizem palavras lindas que são vazias, porque NADA no mundo inteiro pode me consolar.
Descobri recentemente que não perdoei Deus por ter levado meu filho, me senti traída, me sinto preterida....
Muita gente ao ler isso vai pensar que eu enlouqueci... devo ter enlouquecido mesmo. Não sou a mesma pessoa desde que tive que deixar meu filho ali, inerte dentro de um caixão, desde que tive que ver ele sendo vestido com a sua saída de maternidade, que eu demorei meses para escolher, não para que viesse pra casa, mas para que fosse enterrado.
Mas eu afirmo eu PRECISO perdoar Deus, Ele não precisa do meu perdão ao contrario, geralmente somos nós que precisamos de perdão, mas quando digo que tenho que perdoa-lo, é pra mim mesma conseguir acreditar sem sombra de dúvidas...
Não pensem que estou afastada dos seus caminhos, estou andando tão junto com Ele (só quem passa por grandes provas vai entender o que estou dizendo), então estou andando tão junto Com Ele, que me sinto a vontade de conversar com Ele de forma franca e direta. Deus não precisa da minha hipocrisia, o Deus que eu sirvo, preza a verdade e sinceridade, então porque eu devo dizer que está tudo bem , que Deus sabe o que faz, e todas as coisas lindas e maravilhosas que todo mundo fala, muitas vezes com o coração vazio desses sentimentos.
Andar com Deus, conhecer a Deus ao meu ver é isso é ser verdadeiro, é ser irrepreensível, é buscar não errar.
Com certeza não é ficar esquentando banco de igreja, criticando os que são menos capazes de viver como você, de viver de aparecias.
Jesus, nos deu um mandamento de amarmos, uns aos outros, de alimentarmos quem tem fome, de visitarmos os enfermos, e infelizmente a igreja como um todo dificilmente faz isso, é uma meia dúzia que vive assim, então antes de me criticar por tudo o que escrevi , você que é meu irmão em cristo, pare e pense quantas vezes você faz isso, quantos hospitais você visita, quantos projetos sociais você faz parte, ou mais simples, antes de me criticar por tudo que escrevi, pense quantas vezes, você meu amigo, que se diz meu irmão veio me visitar depois que perdi meu filho?
Então sim, mesmo chateada, mesmo com a fé abalada, e mesmo não indo na igreja com a frequência que ia antes, eu ando com Cristo, eu vivo um dia de cada vez, e ainda estou aprendendo a ser cristã. A minha igreja hoje são as pessoas que precisam de mim, afinal a igreja sou eu!!
Desabafo
Fernanda da Costa Xavier
"O amor de uma mãe por seu filho, é algo tão extraordinário, que não existem barreiras. Ele transpassa o tempo e o espaço, e alcança a eternidade." (Trecho do texto Saudade de Fernanda da costa Xavier)
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sábado, 8 de junho de 2013
Desabafo
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sábado, 11 de maio de 2013
Poema para o meu Fael
Poema para o meu Fael
Lembro-me exatamente,
Do dia em que me tornei mulher plenamente,
Foi o dia que meu coração parou.
Pois em um passe de mágica,
De repente,
Tornei-me mãe da semente que o meu corpo gerou.
Porém, infelizmente,
Sem motivos aparentes,
O grande Deus Benevolente,
O levou.
Não podia deixa-lo ir tão facilmente,
E me revoltei grandemente.
Então Deus Docemente,
Falou:
Estou levando seu Fael,
Que viverá como um anjo no céu.
E para que saiba que sou Fiel
Faço-te uma promessa veemente.
Encontrá-lo-á novamente
E serão felizes eternamente
Nas mansões do Salvador.
Autoria: Fernanda da Costa Xavier (texto registrado)
*Texto de autoria de Fernanda da costa Xavier, nunca esquecer de mencionar a fonte e autoria do texto se for utilizar
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Todos os dias
Todos os dias.
Todos os dias me levanto
Pronta para guerrear,
Minha guerra é contra meu pranto
Que jorra sem cessar.
Todos os dias me levanto,
Com a saudade a apertar,
E já peço ao Espirito Santo
Que venha me consolar.
Todos os dias me levanto
Sem querer me levantar,
E a Deus me quebranto
Pra ter forças pra lutar.
Todos dias me levanto
Com um pedaço a faltar,
Falta meu coração, que por enquanto
Com meu anjo no céu foi morar.
Todos os dias, me levanto
Mesmo sem ter como caminhar
Mas caminho, esperando.
Meu amor poder te dar.
Todos os dias, me levanto
Pedindo para o tempo passar,
Não queria esperar tanto
Para o meu anjo reencontrar.
By Fernanda da Costa Xavier
*Texto registrado
*Texto de autoria de Fernanda da costa Xavier, nunca esquecer de mencionar a fonte e autoria do texto se for utilizar
Todos os dias me levanto
Pronta para guerrear,
Minha guerra é contra meu pranto
Que jorra sem cessar.
Todos os dias me levanto,
Com a saudade a apertar,
E já peço ao Espirito Santo
Que venha me consolar.
Todos os dias me levanto
Sem querer me levantar,
E a Deus me quebranto
Pra ter forças pra lutar.
Todos dias me levanto
Com um pedaço a faltar,
Falta meu coração, que por enquanto
Com meu anjo no céu foi morar.
Todos os dias, me levanto
Mesmo sem ter como caminhar
Mas caminho, esperando.
Meu amor poder te dar.
Todos os dias, me levanto
Pedindo para o tempo passar,
Não queria esperar tanto
Para o meu anjo reencontrar.
By Fernanda da Costa Xavier
*Texto registrado
*Texto de autoria de Fernanda da costa Xavier, nunca esquecer de mencionar a fonte e autoria do texto se for utilizar
quarta-feira, 6 de março de 2013
Tempo
Para uns o tempo passa devagar,
Uma hora parece uma eternidade.
Para outros o tempo corre e toda eternidade nunca é suficiente.
Para nós mãe de anjos, o tempo corre mas nunca passa realmente.
Quando percebemos, já se passaram um mês, dois, um anos, quatro, dez...
E continuamos sentindo a mesma coisa, um vazio imenso cheio de Saudade!!
By Fernanda da Costa Xavier.
*Texto de autoria de Fernanda da costa Xavier, nunca esquecer de mencionar a fonte e autoria do texto se for utilizar
terça-feira, 5 de março de 2013
A vida de Jó e as mães que perderam seus filhos
Muitas vezes a vida de Jó é utilizada como exemplo para nós mães que perdemos nossos filhos.
As pessoas, constantemente , nos dizem :"olha lembra de jó?,então ele perdeu dez filhos e ainda glorificou a Deus"
O que as pessoas não sabem, ou não entendem é que o processo que ele passou até chega a isso , foi árduo e penoso, muitas vezes chegando a pedir a morte para Deus, chegando a amaldiçoar o dia do seu nascimento.
Isso acontece realmente conosco, pelo menos comigo, quantas vezes cheguei a pensar no porque ainda estava viva, afinal uma parte de mim muito grande foi arrancada e enterrada, unto com o meu filho.
E fiquei esses quatro meses meditando na vida de Jó, e recentemente respondi uma linda mensagem que recebi de uma grande amiga com as conclusões que eu tirei dessa história, segue trechos da reposta que enviei pra ela:
Sabe, a dor de perder um filho chega até ser física. Antes fosse só física porque assim tomaria um remédio e logo passaria... Ela chega a ser física mais é na alma. Você já não é a mesma pessoa, entende?
Espero em Deus que com o tempo eu consiga voltar a respirar novamente, talvez isso aconteça quando tiver outros filhos sim... mas um filho NUNCA substitui o outro.
Quando utilizamos a passagem da vida de Jó onde ele fala : "O Senhor me deu, o Senhor me tomou, bendito seja o nome do Senhor", muitas vezes a usamos fora do contexto... não é fácil chegar ao ponto que ele chegou e dizer isso.Posso te garantir que Jó poderia ter perdido TUDO até a própria vida e seria preferível a perder um filho quanto mais dez!!
Quando Jó, falou essa frase, ela já estava chegando ao final da sua prova, Deus já estava mudando o cativeiro dele, e o que sabemos sobre isso? Sabemos que Jó teve TUDO em dobro né?
Ai quando lemos lá o que lhe foi dado em dobro, vemos a descrição, de O dobro de bois, propriedades, e ai chega na parte dos filhos ele tem novamente sete filhos e três filhas, totalizando dez filhos no geral.
Ai você me pergunta, como? não era em dobro? ele já tinha antes dez e perdeu dez, se ele teve TUDO em dobro, porque os filhos são o mesmo número.
Eu meditei sobre isso esse tempo todo, e encontrei a explicação, Deus me fez ver que realmente foi em DOBRO, ele teve novamente o mesmo número de filhos, porque se você contar os dez que ele perdeu e juntar com os outros dez dará o número correto.
Deus nos mostrou o que? que substituição de filhos não existe e Ele jamais faria isso. Ele nunca, substituiria os filhos de Jó, ele teve outros , mas não teve mais vinte (já que seria o dobro), porque filho é algo que não dá para repor.
Creio que ter mais dez filhos deve ter alegrado o coração dele, mas de forma alguma ele esqueceu os filhos que teve, e o coração deixou de doer.
Para Jó ter chegado ao ponto de dizer a famosa frase :"O Senhor me deu, O Senhor tomou.." ele passou por um processo dolorido no qual chegou a amaldiçoar o dia do seu nascimento, pediu a morte para Deus dissessas vezes.Questionou Deus inúmeras vezes, do porque tudo aquilo.Veja bem, ele questionou a Deus, não a soberania de Deus,porque também vemos no decorrer do livro quanto Jó adorou a Deus no meio da prova também.
Então é isso meus amigos,essas foram as conclusões que tirei com a passagem da vida de Jó. Mais uma vez com essa história compreendo que mesmo quando perdemos tudo, e para uma mãe TUDO é o seu filho, (porque meus dois anjinhos forma meu mundo); Então, mesmo assim, Deus prova o amor e respeito que tem por nós, Ele sabe que uma hora a dor e a revolta se não passarem irão amenizar, daí ele começa o processo de cura, afinal a própria bíblia diz:
" Pois ele fere, mas trata do ferido; ele machuca, mas suas mãos também curam." JÓ 5.18
Fernanda da Costa Xavier*Texto de autoria de Fernanda da costa Xavier, nunca esquecer de mencionar a fonte e autoria do texto se for utilizar
domingo, 3 de março de 2013
E a Saudade
Amor da minha vida!!
Como a mamãe sente sua falta filho;
Sabe as vez é até difícil respirar doí tanto , mas mamãe também lembra de tanta coisa boa que viveu com você nesse curto período.
Você me ensinou a amar incondicionalmente .Um novo tipo de amor, mais lindo,mais perfeito. O amor de uma mãe por seu filho é algo tão extraordinário, que não existem barreiras. Ele transpassa o tempo e o espaço, alcança a eternidade, é assim que a mamãe te ama. Faria qualquer coisa por você e teria ido no seu lugar, mas Papai do céu te enviou apenas pra mamãe e o papai saberem e experimentarem esse amor tão grande.
Você me ensinou também a não desistir na primeira dificuldade, porque por 24 horas vc viveu sem as maquinas que você precisava. Contra toda a ciência que dizia que a sua cardiopatia era incompatível com a vida (o que acabou sendo verdade), mas os médicos não conseguiam explicar como você aguentou tanto tempo sem os remédios.Mas ainda assim você vicveu mais quatro dias depois disso.
Eu sei, você é meu Guerreiro, forte e valente, e queria ficar um tempo no colo do pai babão um tempo junto com a mãe leoa.
Te amo meu bebê e te amarei eternamente, é por você ter sido forte que a mamãe levanta muitas vezes, porque eu preciso honrar a força e a determinação que você teve.
Meu anjinho lindo, meu filho querido a saudade aperta e as veze quase me afogo em lágrimas, mas não vou desistir filho, você não desistiu, se foi porque Deus te chamou pra enfeitar o jardim dele novamente!!
Meu FaelzinhoTe amooooooo!!
Como a mamãe sente sua falta filho;
Sabe as vez é até difícil respirar doí tanto , mas mamãe também lembra de tanta coisa boa que viveu com você nesse curto período.
Você me ensinou a amar incondicionalmente .Um novo tipo de amor, mais lindo,mais perfeito. O amor de uma mãe por seu filho é algo tão extraordinário, que não existem barreiras. Ele transpassa o tempo e o espaço, alcança a eternidade, é assim que a mamãe te ama. Faria qualquer coisa por você e teria ido no seu lugar, mas Papai do céu te enviou apenas pra mamãe e o papai saberem e experimentarem esse amor tão grande.
Você me ensinou também a não desistir na primeira dificuldade, porque por 24 horas vc viveu sem as maquinas que você precisava. Contra toda a ciência que dizia que a sua cardiopatia era incompatível com a vida (o que acabou sendo verdade), mas os médicos não conseguiam explicar como você aguentou tanto tempo sem os remédios.Mas ainda assim você vicveu mais quatro dias depois disso.
Eu sei, você é meu Guerreiro, forte e valente, e queria ficar um tempo no colo do pai babão um tempo junto com a mãe leoa.
Te amo meu bebê e te amarei eternamente, é por você ter sido forte que a mamãe levanta muitas vezes, porque eu preciso honrar a força e a determinação que você teve.
Meu anjinho lindo, meu filho querido a saudade aperta e as veze quase me afogo em lágrimas, mas não vou desistir filho, você não desistiu, se foi porque Deus te chamou pra enfeitar o jardim dele novamente!!
Meu FaelzinhoTe amooooooo!!
domingo, 20 de janeiro de 2013
Só por Hoje!!
A famosa frase, utilizada pelos alcoílicos anônimos é a que está sendo a minha filosofia de vida.
"SÓ POR HOJE", é uma frase muito sábia, e tem me ajudado no processo de cicatrização da ferida que ainda está aberta.
Acho que não falo só por mim, quando digo que quando perdemos um filho temos que lutar,todos os dias, para não nos desligarmos totalmente do presente.Ficando presos nas lembranças, e na luta contra a ansiedade e angustia que as incertezas do amanhã nos provoca.
Todos os dias eu sofro lembrando dos curtos e maravilhosos momentos que tive com meu filho.Tem dias que só lembro com saudade, e não doí muito, porque foco nas coisas boas que tive e até consigo agradecer.Mas tem dias que sou assombrada pelas lembranças, e a dor que elas me causam que são tão grandes que chega me deixam sem ar.Nesses dias penso em como foi pouco o tempo que tive com o meu filho, me lamento e enlouqueço.
Assim também,como TODOS os dias, sinto uma ansiedade enorme com o futuro e pensamentos como, "será que poderei engravidar novamente?" "E se engravidar, será que meu filho não vai morrer de novo" ou " E se for tudo bem e meu filho parecer com o Raphaelzinho", ou até, "Será que amarei, meu filho como amo o Fael?",
Enfim, passam milhares de coisas pela minha cabeça, e todas elas muito rápido. No mesmo dia vou de um extremo ao outro as vezes em fração de segundos.
Inevitavelmente, vou continuar sentindo todas essas ansiedades,mas, o que eu quero é viver um dia de cada vez, e estou me esforçando para isso.
Sei que se eu me esforçar bastante, talvez consiga retomar minha rotina... mas como disse, um dia de cada vez.
Então digo a mim mesma : "SÓ POR HOJE, vc vai levantar", SÓ POR HOJE,você vai comer", SÓ POR HOJE....
A Bíblia tem uma passagem que diz "Basta a cada dia o seu mal", portanto espero realmente, conseguir, viver o hoje, sem esquecer do passado, mas não viver totalmente presa nele, e deixar que do amanhã cuide Deus.
Se eu vou conseguir? Sinceramente, não sei, a minha única certeza é que SÓ POR HOJE, tentarei.
Se amanhã a saudade do meu anjo, estiver mais insuportável que hoje, tentarei mais uma vez.E todos os dias com o mesmo pensamento:
SÓ POR HOJE!!
Oração da Serenidade:
Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das outras.
Amém!!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
O Colo que Não dei
O Raphael nasceu fruto de uma vontade imensa de ser mãe. Mesmo sem ter muitas condições e ser recém casada eu queria desesperadamente engravidar.
Casei em junho de 2011, em Julho estava grávida, com oito semanas de gestação perdi meu bebe e isso me deixou arrasada. Não trabalhava na época e entrei em depressão .Resolvi que voltaria a trabalhar porque precisava ocupar a minha mente, as pessoas não entendiam o motivo de toda aquela tristeza, já que a gravidez estava no comecinho, mas pra mim me faltava um pedaço .
Desde o começo tive problemas, tive vários sangramentos, tomava Ultragestan e progesterona, vivia no pronto socorro, até que no dia 25 de agosto de 2011 fui a consulta, a médica pediu uma ultrassom, e quando o médico procurou os batimentos cardíacos não encontrou e ele me disse muito friamente: “olha o feto, esta amorfo (sem forma), a placenta descolada totalmente, e não tem batimentos cardíacos, essa gravidez não é viável. Eu ouvia, olhava pra ele e me deu um vontade de gritar, mas voltei pra sala da doutora, entreguei a ultrassom e ela, sim, muito humana, me disse várias coisas confortadoras, me orientou a não fazer a curetagem, para evitar outros futuros abortos e me passou uma medicação para abrir o colo do útero, tomei essa medicação duas vezes no dia conforme ela havia prescrito e a noite senti uma cólica imensamente forte, sangrei muito e saiu a placenta e dentro de uma bolinha ainda com agua toda fechadinha o meu bebezinho, que pra mim tinha forma de feto sim, bem pequenininho. Continuei tomando a medicação, voltei na médica fiz exames, e ela me disse que podia tentar de novo em 6 meses. Cheguei em casa, fiz um calendário, e riscava todo dia o quanto faltava...
Em janeiro de 2012 , ainda menstruei normalmente , mas em fevereiro... minha alegria, minha surpresa, fiz o teste de farmácia no serviço e, quando vi, tinha dado POSITIVO, fui até p ambulatório do trabalho pedi duas guias de BHCG Quantitativo, uma para aquele dia e outra para repetir em 48 horas, para saber se estava aumentando o hormônio, já que esse foi um dos problemas que tive na primeira gravidez. Liguei pro meu marido que chorou com a noticia e quando chegou em casa ficava alisando minha barriga. Fiz os exames, os resultados estavam certinhos e foi só alegria;
A minha gravidez foi tranquila apesar de ter adquirido pressão alta, tomava meus remédios e só comia fruta, emagreci ao invés de engordar, uns 6kg, só engordei novamente no fim da gravidez , mas meu filho sempre foi grande e pesadinho, ele se desenvolveu muito bem , pelo menos era o que aparentava.
Descobri o sexo com mais ou menos 5 meses de gravidez, e chorei ao saber que era menino, falei pro meu marido que quando o Faelzinho crescesse não ia me visitar, como perceberam o nome escolhido foi Raphael Filho, e meu marido ficou todo bobo, porque o filho ia ter o mesmo nome dele.
Chegamos a 40 semanas sem nenhuma grande intercorrência, como ele não nascia e já estava sem espaço, foi feita a cesárea e no dia 28/10/2012 as 12:14hrs, nascia meu amado filho, que emoção, ele nasceu grandão com 49 centímetros, 3945kg, apgar 8 e 9, um sonho. Falei pro meu marido ficar grudado nele tinha muito medo de trocarem meu bebe na maternidade, ou roubarem.
Fui para o quarto e aproveitei meu bebe até o dia seguinte, quando levaram ele para dar banho, fui atrás ficar olhando pelo vidro, e percebi que a pediatra fez uma cara estranha quando escutou o coração dele, colocou ele no oximoro, o monitor estava virado pra frente, e me desesperei ao ver a saturação do meu filho tão baixa, falei pro meu marido que ela pediria UTI pra ele e foi o que aconteceu.
Desde que o Faelzinho foi para o quarto eu havia percebido que ele respirava cansadinho, falei para as enfermeiras, falei pro meu marido, falei pra todo mundo que entrava no quarto, mas falavam que era coisa da minha cabeça.
A médica muito boa Dra Monica, me falou que o Raphaelzinho provavelmente era portador de alguma cardiopatia congênita, que existiam várias e naquele momento sem os exames ela não saberia me precisar qual era, disse que ele iria para a UTINEO, para ser monitorado de perto e receber medicações para manter a válvula do coração dele aberta. A noite me chamaram porque ele tinha feito a ecocardiografia e a cardiologista, me explicou que ele era portador da Síndrome da Hipoplásia do Coração Esquerdo SHCE, e de outros problemas (que só mais tarde descobri os nomes CIA e Coartação da Aorta) e que este problema o tratamento era cirúrgico, mas que a cirurgia seria paliativa e eram mais de uma cirurgia, disse que pediria transferência pra ele porque o tratamento cirúrgico eles não tinham condições de fazer ali naquele local.
No dia 30/10 fomos transferidos para o hospital de referência do convênio, foram feitos novos exames e no dia 31 conversamos com os cirurgiões que explicaram que o tratamento convencional que são três cirurgias em idades diferentes, não era indicado para ele naquele momento porque a aorta dele era muito fininha torta e muito estreita. Primeiro ele faria uma cirurgia denominada cirurgia Hibrida, para que ele pudesse ter chance de passar pelas outras.
Lembro que ficava ali em pé e cantava pro meu bebe na incubadora, a mesma música que ele ouvia na barriga , chorava, orava, ele mesmo sedado melhorava a saturação quando ouvia minha voz, quando eu tocava nele, ele sabe que foi e é muito amado.
NO dia 01/11/12 foi feita a cirurgia do meu filho. Acompanhei ele ate a porta do centro cirúrgico dei um beijo nele, minha mãe e meu marido também e foi a última vez que vi meu filho com vida as 19:15hrs ele faleceu vitima de um choque hemorrágico e parada cardíaca, meu bebezinho não aguentou a cirurgia.
O que eu senti com a notícia foi devastador, parecia que eu estava olhando outra pessoa passar por aquilo, meu marido me abraçou e choramos como criança.
Ele também ficou muito abalado, o Raphaelzinho sempre mexia quando ouvia a voz dele na barriga, e ficava quietinho quando o ´pai pegava ele no colo.
Tinham providencias a serem tomadas e eu não quis ninguém tomar as decisões por mim, fui até a internação pedi a declaração de óbito, que a menina não sabia fazer e me irritou muito, porque eu vi que ela estava fazendo errado e teria que refazer (trabalhei em hospital), naquele momento enquanto ela preenchia a declaração de óbito eu lembrava de todas as vezes que eu tinha preenchido aquele mesmo papel... não imaginava alguém fazendo isso do meu filho.
Queria ir até a funerária, mas meu marido pediu pra deixar meu sogro e minha mãe escolherem o caixão, dei instruções de como eu queria, voltamos para o hospital de madrugada para liberar o corpo, eu queria vestir meu filho, as pessoas falavam "não vai ver não", mas eu quis ver meu filho. A saída de maternidade que eu tinha comprado com tanto carinho, pedi para as enfermeiras vestirem nele, e ele ficou lindo parecia um anjinho.
Fomos pra casa, ele foi velado na igreja que meu marido cresceu, lembro de sentar e olhar fixamente para o caixão, era irreal aquilo, um mês antes eu tinha escolhido os móveis do cantinho que fiz pra ele e agora, ele tava ali inerte naquele caixão.
Eu não ia ter o chorinho de madrugada, não ai amamentar, não ia ver meu filho se desenvolver, não ouviria ele me chamar de mamãe.
As pessoas tentavam me consolar, mas só me irritava ouvir as mesmas palavras, que de consolo não tem nada. O culto fúnebre foi lindo, muitas pessoas compareceram para nos apoiar e foi importante, enquanto ele estava internado ouve uma comoção na internet de oração em prol da vida dele, pessoas de vários locais oraram pelo meu filho, e eu sou eternamente grata por isso.
Quando recebemos a notícia da morte do Faelzinho, o Raphael meu marido escreveu o seguinte texto que foi lido e distribuído no velório dele:
“O Raphaelzinho foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Foi fruto do meu amor pela Fernanda.
Infelizmente quis Deus levá-lo com apenas 5 dias de vida. Entretanto esses 5 dias mudarão o restante da minha vida.
Nesses dias pude contemplar o meu pequeno Guerreiro em sua luta, pude abraça-lo, beijá-lo, sentir o seu agradável cheirinho. Essa experiência é a mais magnífica e gratificante que existe, eu aproveitei todos os momentos.
Não pude acordar a noite com seu choro, nem para dar-lhe de mamar ou ao menos trocar sua fraldinha.
Não poderei vê-lo andar, falar, cair, se machucar, se curar, quebrar a casa toda.
Pais que lerem esta carta, saibam que esses não são problemas, na verdade, são privilégios, aproveitem cada segundo com seu filho, curta cada momento com ele, não se neguem de brincar com ele quando chegar em casa cansado. Se derretam quando virem seus biquinhos de manha, quando olharem com ternura, pois pode ser a ultima vez, no meu caso foi.
Jamais esquecerei aqueles olhos pretos me olhando, seu cabelo espetadinho, o biquinho que ele fazia.
5 dias, apenas 5 dias e Deus o levou de mim, 5 dias que mudaram toda minha vida.
Raphaelzinho, eu te amo e mamãe também, Vai com Jesus, logo, logo nos veremos outra vez.
Com amor,
Papai e Mamãe”
Hoje faz exatamente 2 meses e 21 dias que ele nasceu 2 meses e dezoito dias que ele voou de volta para os braços do pai.
Voltar para casa só voltei depois de um mês, e quando vi tudo aqui o berço vazio, as roupas ainda sem usar, o estoque de fraldas que eu tinha feito, chorei muito, mas acabei me acostumando, hoje não quero desmontar nada, mas sei que isso será inevitável. Me angustia saber que esse momento vai chegar e precisarei ser forte.
Todos os dias dói para respirar; todos os dias.
É difícil levantar, foi difícil ter leite e não ter bebe para amamentar, doí não ter o cheirinho de bebe em casa, doí ter o colo vazio. Perder um filho é perder um sonho, uma parte de você. Choro todos os dias ,me pergunto todos os dias o porquê, e nunca encontro resposta. Só durmo se for com a roupinha que ele usou comigo, mas tive uma crise porque acabou o cheirinho dele.
Hoje sou mãe de dois anjinhos, uma mãe tendo que viver sem os filhos para cuidar. Encontrei apoio em pessoas que nem conheço, mas compartilham comigo a mesma dor e saudade de seus anjos
Estou tentando sobreviver, porque viver mesmo, eu deixei na hora que meu filho morreu.
Fernanda Costa Xavier
Casei em junho de 2011, em Julho estava grávida, com oito semanas de gestação perdi meu bebe e isso me deixou arrasada. Não trabalhava na época e entrei em depressão .Resolvi que voltaria a trabalhar porque precisava ocupar a minha mente, as pessoas não entendiam o motivo de toda aquela tristeza, já que a gravidez estava no comecinho, mas pra mim me faltava um pedaço .
Desde o começo tive problemas, tive vários sangramentos, tomava Ultragestan e progesterona, vivia no pronto socorro, até que no dia 25 de agosto de 2011 fui a consulta, a médica pediu uma ultrassom, e quando o médico procurou os batimentos cardíacos não encontrou e ele me disse muito friamente: “olha o feto, esta amorfo (sem forma), a placenta descolada totalmente, e não tem batimentos cardíacos, essa gravidez não é viável. Eu ouvia, olhava pra ele e me deu um vontade de gritar, mas voltei pra sala da doutora, entreguei a ultrassom e ela, sim, muito humana, me disse várias coisas confortadoras, me orientou a não fazer a curetagem, para evitar outros futuros abortos e me passou uma medicação para abrir o colo do útero, tomei essa medicação duas vezes no dia conforme ela havia prescrito e a noite senti uma cólica imensamente forte, sangrei muito e saiu a placenta e dentro de uma bolinha ainda com agua toda fechadinha o meu bebezinho, que pra mim tinha forma de feto sim, bem pequenininho. Continuei tomando a medicação, voltei na médica fiz exames, e ela me disse que podia tentar de novo em 6 meses. Cheguei em casa, fiz um calendário, e riscava todo dia o quanto faltava...
Em janeiro de 2012 , ainda menstruei normalmente , mas em fevereiro... minha alegria, minha surpresa, fiz o teste de farmácia no serviço e, quando vi, tinha dado POSITIVO, fui até p ambulatório do trabalho pedi duas guias de BHCG Quantitativo, uma para aquele dia e outra para repetir em 48 horas, para saber se estava aumentando o hormônio, já que esse foi um dos problemas que tive na primeira gravidez. Liguei pro meu marido que chorou com a noticia e quando chegou em casa ficava alisando minha barriga. Fiz os exames, os resultados estavam certinhos e foi só alegria;
A minha gravidez foi tranquila apesar de ter adquirido pressão alta, tomava meus remédios e só comia fruta, emagreci ao invés de engordar, uns 6kg, só engordei novamente no fim da gravidez , mas meu filho sempre foi grande e pesadinho, ele se desenvolveu muito bem , pelo menos era o que aparentava.
Descobri o sexo com mais ou menos 5 meses de gravidez, e chorei ao saber que era menino, falei pro meu marido que quando o Faelzinho crescesse não ia me visitar, como perceberam o nome escolhido foi Raphael Filho, e meu marido ficou todo bobo, porque o filho ia ter o mesmo nome dele.
Chegamos a 40 semanas sem nenhuma grande intercorrência, como ele não nascia e já estava sem espaço, foi feita a cesárea e no dia 28/10/2012 as 12:14hrs, nascia meu amado filho, que emoção, ele nasceu grandão com 49 centímetros, 3945kg, apgar 8 e 9, um sonho. Falei pro meu marido ficar grudado nele tinha muito medo de trocarem meu bebe na maternidade, ou roubarem.
Fui para o quarto e aproveitei meu bebe até o dia seguinte, quando levaram ele para dar banho, fui atrás ficar olhando pelo vidro, e percebi que a pediatra fez uma cara estranha quando escutou o coração dele, colocou ele no oximoro, o monitor estava virado pra frente, e me desesperei ao ver a saturação do meu filho tão baixa, falei pro meu marido que ela pediria UTI pra ele e foi o que aconteceu.
Desde que o Faelzinho foi para o quarto eu havia percebido que ele respirava cansadinho, falei para as enfermeiras, falei pro meu marido, falei pra todo mundo que entrava no quarto, mas falavam que era coisa da minha cabeça.
A médica muito boa Dra Monica, me falou que o Raphaelzinho provavelmente era portador de alguma cardiopatia congênita, que existiam várias e naquele momento sem os exames ela não saberia me precisar qual era, disse que ele iria para a UTINEO, para ser monitorado de perto e receber medicações para manter a válvula do coração dele aberta. A noite me chamaram porque ele tinha feito a ecocardiografia e a cardiologista, me explicou que ele era portador da Síndrome da Hipoplásia do Coração Esquerdo SHCE, e de outros problemas (que só mais tarde descobri os nomes CIA e Coartação da Aorta) e que este problema o tratamento era cirúrgico, mas que a cirurgia seria paliativa e eram mais de uma cirurgia, disse que pediria transferência pra ele porque o tratamento cirúrgico eles não tinham condições de fazer ali naquele local.
No dia 30/10 fomos transferidos para o hospital de referência do convênio, foram feitos novos exames e no dia 31 conversamos com os cirurgiões que explicaram que o tratamento convencional que são três cirurgias em idades diferentes, não era indicado para ele naquele momento porque a aorta dele era muito fininha torta e muito estreita. Primeiro ele faria uma cirurgia denominada cirurgia Hibrida, para que ele pudesse ter chance de passar pelas outras.
Lembro que ficava ali em pé e cantava pro meu bebe na incubadora, a mesma música que ele ouvia na barriga , chorava, orava, ele mesmo sedado melhorava a saturação quando ouvia minha voz, quando eu tocava nele, ele sabe que foi e é muito amado.
NO dia 01/11/12 foi feita a cirurgia do meu filho. Acompanhei ele ate a porta do centro cirúrgico dei um beijo nele, minha mãe e meu marido também e foi a última vez que vi meu filho com vida as 19:15hrs ele faleceu vitima de um choque hemorrágico e parada cardíaca, meu bebezinho não aguentou a cirurgia.
O que eu senti com a notícia foi devastador, parecia que eu estava olhando outra pessoa passar por aquilo, meu marido me abraçou e choramos como criança.
Ele também ficou muito abalado, o Raphaelzinho sempre mexia quando ouvia a voz dele na barriga, e ficava quietinho quando o ´pai pegava ele no colo.
Tinham providencias a serem tomadas e eu não quis ninguém tomar as decisões por mim, fui até a internação pedi a declaração de óbito, que a menina não sabia fazer e me irritou muito, porque eu vi que ela estava fazendo errado e teria que refazer (trabalhei em hospital), naquele momento enquanto ela preenchia a declaração de óbito eu lembrava de todas as vezes que eu tinha preenchido aquele mesmo papel... não imaginava alguém fazendo isso do meu filho.
Queria ir até a funerária, mas meu marido pediu pra deixar meu sogro e minha mãe escolherem o caixão, dei instruções de como eu queria, voltamos para o hospital de madrugada para liberar o corpo, eu queria vestir meu filho, as pessoas falavam "não vai ver não", mas eu quis ver meu filho. A saída de maternidade que eu tinha comprado com tanto carinho, pedi para as enfermeiras vestirem nele, e ele ficou lindo parecia um anjinho.
Fomos pra casa, ele foi velado na igreja que meu marido cresceu, lembro de sentar e olhar fixamente para o caixão, era irreal aquilo, um mês antes eu tinha escolhido os móveis do cantinho que fiz pra ele e agora, ele tava ali inerte naquele caixão.
Eu não ia ter o chorinho de madrugada, não ai amamentar, não ia ver meu filho se desenvolver, não ouviria ele me chamar de mamãe.
As pessoas tentavam me consolar, mas só me irritava ouvir as mesmas palavras, que de consolo não tem nada. O culto fúnebre foi lindo, muitas pessoas compareceram para nos apoiar e foi importante, enquanto ele estava internado ouve uma comoção na internet de oração em prol da vida dele, pessoas de vários locais oraram pelo meu filho, e eu sou eternamente grata por isso.
Quando recebemos a notícia da morte do Faelzinho, o Raphael meu marido escreveu o seguinte texto que foi lido e distribuído no velório dele:
“O Raphaelzinho foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Foi fruto do meu amor pela Fernanda.
Infelizmente quis Deus levá-lo com apenas 5 dias de vida. Entretanto esses 5 dias mudarão o restante da minha vida.
Nesses dias pude contemplar o meu pequeno Guerreiro em sua luta, pude abraça-lo, beijá-lo, sentir o seu agradável cheirinho. Essa experiência é a mais magnífica e gratificante que existe, eu aproveitei todos os momentos.
Não pude acordar a noite com seu choro, nem para dar-lhe de mamar ou ao menos trocar sua fraldinha.
Não poderei vê-lo andar, falar, cair, se machucar, se curar, quebrar a casa toda.
Pais que lerem esta carta, saibam que esses não são problemas, na verdade, são privilégios, aproveitem cada segundo com seu filho, curta cada momento com ele, não se neguem de brincar com ele quando chegar em casa cansado. Se derretam quando virem seus biquinhos de manha, quando olharem com ternura, pois pode ser a ultima vez, no meu caso foi.
Jamais esquecerei aqueles olhos pretos me olhando, seu cabelo espetadinho, o biquinho que ele fazia.
5 dias, apenas 5 dias e Deus o levou de mim, 5 dias que mudaram toda minha vida.
Raphaelzinho, eu te amo e mamãe também, Vai com Jesus, logo, logo nos veremos outra vez.
Com amor,
Papai e Mamãe”
Hoje faz exatamente 2 meses e 21 dias que ele nasceu 2 meses e dezoito dias que ele voou de volta para os braços do pai.
Voltar para casa só voltei depois de um mês, e quando vi tudo aqui o berço vazio, as roupas ainda sem usar, o estoque de fraldas que eu tinha feito, chorei muito, mas acabei me acostumando, hoje não quero desmontar nada, mas sei que isso será inevitável. Me angustia saber que esse momento vai chegar e precisarei ser forte.
Todos os dias dói para respirar; todos os dias.
É difícil levantar, foi difícil ter leite e não ter bebe para amamentar, doí não ter o cheirinho de bebe em casa, doí ter o colo vazio. Perder um filho é perder um sonho, uma parte de você. Choro todos os dias ,me pergunto todos os dias o porquê, e nunca encontro resposta. Só durmo se for com a roupinha que ele usou comigo, mas tive uma crise porque acabou o cheirinho dele.
Hoje sou mãe de dois anjinhos, uma mãe tendo que viver sem os filhos para cuidar. Encontrei apoio em pessoas que nem conheço, mas compartilham comigo a mesma dor e saudade de seus anjos
Estou tentando sobreviver, porque viver mesmo, eu deixei na hora que meu filho morreu.
Fernanda Costa Xavier
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sábado, 12 de janeiro de 2013
A dor passa com o tempo?? a minha não!
Todo mundo me diz que com o tempo a dor passa. Talvez eu seja diferente das outras pessoas porque não tá passando ou contrário, doí mais a cada dia.
Não consigo achar consolo,não consigo achar solução... muitos dizem: , "vc é nova vai ter outros filhos", e nem desconfiam que mesmo que eu tivesse mais vinte não mudaria a o fato de sentir dor e saudade.
Junto com meu filho, perdi meus sonhos, meus planos e projetos, porque Deus não sonhou meu sonho comigo.
Amo ao Senhor, e todos me dizem: "foi a vontade de Deus", sim eu sei, e não me resta outra alternativa a não ser aceitar, e ao mesmo tempo algo grita dentro de mim que eu não posso aceitar, porque simplesmente eu não consigo.
Posso fazer o jogo do contente (quem leu Poliana vai saber do que eu tô falando), e encontro ótimos motivos para me alegra, e me alegro, por exemplo, tenho um marido lindo,irmãos maravilhosos e uma mãe que se pudesse ficaria no meu lugar com o meu sofrimento.Então consigo ser grata pela minha vida, pela minha família, mas ainda assim o vazio, a tristeza continuam alia espreita.
Sei também que meu filho está salvo , e não existe lugar melhor para se estar do que com o Pai celestial, mas, sinto inveja de não te-lo comigo.
Todos os dias, jogo o jogo do contente, todos os dias coloco um mascara, todos os dias espero ansiosamente meu esposo chegar com medo de ficar sem ele também,(porque vai saber qual é a vontade de Deus).
A lição que tirei de tudo isso, Amar, amar e amar, porque pode ser o último dia o último minuto.
Não tenho tempo a perder com coisas banais, não quero perder tempo com pessoas desagradáveis , ou que não entendem o meu minuto de silêncio, minha necessidade de falar, minha necessidade de escrever, não vou perder tempo com quem nem tenta me entender, eque fala que eu me afasto, não sou eu que me afasto, são as pessoas que não entendem o meu momento que se afastam, quem é que gosta de ficar perto de quem tá triste o tempo todo?
Mas nessa caminhada não estou sozinha, além da minha família encontrei mulheres feridas como eu, que tbm perderam seus anjinhos, desabafo, choro, lembro, e vou lambendo as feridas, esperando que um dia elas cicatrizem...
Não consigo achar consolo,não consigo achar solução... muitos dizem: , "vc é nova vai ter outros filhos", e nem desconfiam que mesmo que eu tivesse mais vinte não mudaria a o fato de sentir dor e saudade.
Junto com meu filho, perdi meus sonhos, meus planos e projetos, porque Deus não sonhou meu sonho comigo.
Amo ao Senhor, e todos me dizem: "foi a vontade de Deus", sim eu sei, e não me resta outra alternativa a não ser aceitar, e ao mesmo tempo algo grita dentro de mim que eu não posso aceitar, porque simplesmente eu não consigo.
Posso fazer o jogo do contente (quem leu Poliana vai saber do que eu tô falando), e encontro ótimos motivos para me alegra, e me alegro, por exemplo, tenho um marido lindo,irmãos maravilhosos e uma mãe que se pudesse ficaria no meu lugar com o meu sofrimento.Então consigo ser grata pela minha vida, pela minha família, mas ainda assim o vazio, a tristeza continuam alia espreita.
Sei também que meu filho está salvo , e não existe lugar melhor para se estar do que com o Pai celestial, mas, sinto inveja de não te-lo comigo.
Todos os dias, jogo o jogo do contente, todos os dias coloco um mascara, todos os dias espero ansiosamente meu esposo chegar com medo de ficar sem ele também,(porque vai saber qual é a vontade de Deus).
A lição que tirei de tudo isso, Amar, amar e amar, porque pode ser o último dia o último minuto.
Não tenho tempo a perder com coisas banais, não quero perder tempo com pessoas desagradáveis , ou que não entendem o meu minuto de silêncio, minha necessidade de falar, minha necessidade de escrever, não vou perder tempo com quem nem tenta me entender, eque fala que eu me afasto, não sou eu que me afasto, são as pessoas que não entendem o meu momento que se afastam, quem é que gosta de ficar perto de quem tá triste o tempo todo?
Mas nessa caminhada não estou sozinha, além da minha família encontrei mulheres feridas como eu, que tbm perderam seus anjinhos, desabafo, choro, lembro, e vou lambendo as feridas, esperando que um dia elas cicatrizem...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Perder um filho
Li esse texto que circula na internet e percebi que ele é verdadeiro, gosto muito dele, porque o autor parece que sintetizou tudo o que eu sinto, por isso colocarei ele aqui .
Eu perdi meu filho hoje
"As pessoas vieram sofrer e chorar,e eu simplesmente sentei e encarei tudo, estava atônita, sem acreditar naquilo que estava acontecendo...
Eles procuravam palavras para dizer, tentar fazer minha dor ir embora.
Eu caminhava, sem acreditar...
Eu perdi meu filho hoje.
Eu perdi meu filho mês passado.
Algumas pessoas ligam, e algumas permanecem.
Eu quero acordar disto, não pode ser real, eu quero gritar.Tudo está ainda trancado aqui dentro.
Deus me ajude, eu não quero aceitar...
Eu perdi meu filho mês passado.
Eu perdi meu filho ano passado.
Agora as pessoas que ainda vinham, se foram.
Eu sento e luto o dia todo, para suportar a dor profunda aqui dentro de mim.
E agora me perguntam o porquê. 'Por quê? Por que essa mãe não segue adiante? Simplesmente fica repetindo a mesma velha dor, o mesmo antigo lamento!
Eu perdi meu filho ano passado.
Eu perdi meu filho há dois anos.
Poderá fazer mais, não importa.O tempo não muda para mim.
O estado de incredulidade, de esperar que fosse tudo uma mentira da vida, essa ilusão que ainda tinha, infelizmente desapareceu.
Meus olhos derramam, todos os dias (sim, todos!!) muitas lágrimas.
Eu percebo o jeito que você olha:"Você deve seguir, não tem mais jeito ." - que palavras duuras para uma mãe - "não tem mais jeito!" Não doeria em você?Sim, eu estou aqui, parada no tempo, e o meu sentimento é o mesmo:"Eu perdi o meu filho...hoje!"
Não importa quanto tempo...
ta doendo, ta sangrando...vai ser sempre assim...''COMO SE FOSSE HOJE''
Autor desconhecido... Tirado da Página Mães em luto
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Carta do Papai sobre o Faelzinho
"O Raphaelzinho foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Foi fruto do meu amor pela Fernanda. Infelizmente quis Deus levá-lo com apenas 5 dias de vida. Entretanto esses 5 dias mudarão o restante da minha vida. Nesses dias pude contemplar o meu pequeno Guerreiro em sua luta, pude abraça-lo, beijá-lo, sentir o seu agradável cheirinho. Essa experiência é a mais magnífica e gratificante que existe, eu aproveitei todos os momentos. Não pude acordar a noite com seu choro, nem para dar-lhe de mamar ou ao menos trocar sua fraldinha. Não poderei vê-lo andar, falar, cair, se machucar, se curar, quebrar a casa toda.Ou virem seus biquinhos de manha, quando olharem com ternura, pois pode ser a ultima vez, no meu caso foi. Jamais esquecerei aqueles olhos pretos me olhando, seu cabelo espetadinho, o biquinho que ele fazia. 5 dias, apenas 5 dias e Deus o levou de mim, 5 dias que mudaram toda minha vida." Raphaelzinho, eu te amo e mamãe também, Vai com Jesus, logo, logo nos veremos outra vez. Com amor. Papai e Mamãe
A história da Cardiopatia do Fael
Meu Raphael nasceu dia 28/10/2012, lindo e grande de parto cesárea. Ele tinha 49 cm e 3945kg . No dia 29 ele foi tomar banho no berçário e eu fui vê-lo, vi a médica fazendo os exames e ao escutar o coração, percebi que ela fez uma cara estranha, e logo o colocou no oximetro, percebi que a saturação estava muito baixa, e logo vi que ela pediria uma UTI. Ela chamou eu e meu marido e disse que tinha ouvido um sopro importante, que achava que ele tinha uma cardiopatia congênita e chamaria uma cardiologista , mas que ele tinha que ir para a UTI. Até aquele dia nunca tinha ouvido falar sobre cardiopatia congênita, perdi meu chão, mas pensava,pode ser só um sopro. Quando a cardiologista terminou a ecocardiografia , veio o terrível diagnóstico, ela disse: -"Mãe seu filho nasceu com uma síndrome muito rara, chamada síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, isso faz com que ele tenha só metade do coração, a outra é atrofiada." A partir daí, já não entendia mais nada, ela explicava com carinho, mas não entendia, disse que tinha visto pouquíssimos casos,que existia uma cirurgia, mas que não dava pra fazer no hospital que nós estávamos, ia pedir transferência para o Hospital da Luz que é hospital de referência do meu convênio, aqui em São Paulo mesmo. Fiquei ali, em pé ao lado da incubadora do meu bebe, já tinha anoitecido, e lembro de me perguntar porque eu?. Ao fazer o pré-natal não descobri o problema. Não tinha informações sobre a doença, não sabia se ele seria bem atendido no hospital que iria.... tantas dúvidas. No dia seguinte, ele foi transferido, só podia ficar com ele até as 19 horas, ainda sentia muito dor, afinal foi cesária, fiquei lá com ele em pé , olhando meu filho, orando chorando, pedindo, e nesse dia vim pra casa e comecei a pesquisar na internet, entrei no site do pequenos corações, mandei uma mensagem, e a Márcia Adriana me respondeu, se colocando a disposição... A cirurgia foi marcada para o dia 01/11 , mas não podeira ser a tradicional ,porque ele tinha a orta muito ruizinha toda tortinha, então o Dr. Mouse resolveu fazer uma cirurgia hibrida, que é uma cirurgia para deixar o canal do recém nascido aberto, pra que ele tivesse chance de fazer as três cirurgias tradicionais, posteriormente. Não tive escolha senão aceitar o que os cirurgiões me propuseram, o que eu queria era somente salvar meu filho, dar uma chance de ele crescer, não tive tempo de procurar outras opiniões, e não quero nem pensar, se tinha outra forma, porque daí não me perdoaria. A pior coisa para uma mãe é não poder proteger seu filho, e isso eu não consegui fazer. Quando ele ia para o centro cirúrgico, pude acompanha-lo até a porta, dei um beijinho nelo, abençoei ele, minha mãe e o meu Marido fizeram o mesmo. Lembro que pensei em sair correndo dali com ele, mas não podia... Tinha que ser forte para o meu filho. Senti um aperto tão grande no coração, pedi, implorei ao Senhor pela vida do meu filho, mas deus o quis lá com ele.As 19:15hrs do dia 01/11/2012 meu Fael , fez jus ao nome e virou um anjinho. Acabou meu sonho , meu bebê se foi... O Faelzinho veio depois de um aborto espontâneo que eu tive, foi tão desejado , tão esperado, e seria o primeiro filho, primeiro neto, primeiro sobrinho, os cinco dias que ele viveu, foi o suficiente para deixar uma marca tão profunda, que nem sei se consigo me recuperar. Todos dizem que somos novos,(eu tenho 27 anos, e meu marido 29) que podemos ter outros filhos, como se fosse substituir meu bebezinho.... De qualquer forma queremos ter outros filhos, mas temos medo de acontecer a mesma coisa. Para podermos engravidar novamente teremos que passar por aconselhamento genético, e esperar um ano... Um ano... ai meu Deus quanto tempo!!
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
ANA UMA MULHER ATRIBULADA, DE CORAÇÃO TRISTE
Dia 20 fez um mês que perdi meu bebê.
Fiquei muito triste, olhei as roupinhas que eu tinha ganhado, e guardei.
Em meio a esses sentimentos tão angustiantes, resolvi ler a Biblia porque precisava de um consolo.Precisava ouvir Deus falar comigo, porque ultimamente tenho me sentido como estando em um monologo, eu falo, eu choro, eu oro,eu imploro.... Sei que Deus está comigo, porque de outra forma eu enlouqueceria!!Mas eu precisava muito ouvir Deus falar comigo.
Resolvi abrir a Biblia e ler, 1º Samuel, resolvi ler a história de Ana.
E me surpreendi como uma passagem que eu já tinha lido tantas vezes,falou tanto comigo, depois do que me aconteceu, é como se eu sentisse a pertubação da alma daquela mulher que queria tanto um filho.
Ana viveu em uma época, em que se a mulher não pudesse dar um filho para seu marido, ele tinha direito de casar com outra, e foi o que seu marido Elcana fez, casou com Penina uma mulher que só humilhava a Ana, que naquela época , as mulheres que não tivessem filhos,não valiam nada.
Todos os anos eles subiam ao templo, para levar seus sacrificios ao Senhor (o que graças a Deus não precisamos fazer hoje,basta orar ), e em um desses anos, Ana conseguiu mudar a sua história de maneira surpreendente, :
"Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente.
E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, ao SENHOR o darei todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.
E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o SENHOR, Eli observou a sua boca.
Porquanto Ana no seu coração falava; só se moviam os seus lábios, porém não se ouvia a sua voz; pelo que Eli a teve por embriagada. " 1 Samuel 10 -13
Vemos acima a dor tão grande de uma mulher que acharam que ela estava embriagada, mas continuando o capitulo, percebemos que Deus ouviu o clamor do coração, da alma dela, e concedeu o desejo de seu coração. Quando o Sarcedote, diz pra ela ir, ela foi embora com o coração mais alegre, pois sabia que o Senhor a tinha ouvido.
Então Deus não podia ter me dado tanto conforto lendo essa passagem, quando disse que percebi a passagem diferente ,das outras vezes que eu li, eu explico:
Todas nós temos uma Penina, nos irritando todos os dias, nos deixando inseguras, e com medo e o nome dela hoje é ANSIEDADE,
Podemos dar ouvido a Penina, ou fazer como Ana, Clamar, ter esperança e descansar no Senhor,é difícil eu sei, mas concerteza não é impossível!!
Vamos clamar ao Senhor, orando uma pelas outras...
Fiquei muito triste, olhei as roupinhas que eu tinha ganhado, e guardei.
Em meio a esses sentimentos tão angustiantes, resolvi ler a Biblia porque precisava de um consolo.Precisava ouvir Deus falar comigo, porque ultimamente tenho me sentido como estando em um monologo, eu falo, eu choro, eu oro,eu imploro.... Sei que Deus está comigo, porque de outra forma eu enlouqueceria!!Mas eu precisava muito ouvir Deus falar comigo.
Resolvi abrir a Biblia e ler, 1º Samuel, resolvi ler a história de Ana.
E me surpreendi como uma passagem que eu já tinha lido tantas vezes,falou tanto comigo, depois do que me aconteceu, é como se eu sentisse a pertubação da alma daquela mulher que queria tanto um filho.
Ana viveu em uma época, em que se a mulher não pudesse dar um filho para seu marido, ele tinha direito de casar com outra, e foi o que seu marido Elcana fez, casou com Penina uma mulher que só humilhava a Ana, que naquela época , as mulheres que não tivessem filhos,não valiam nada.
Todos os anos eles subiam ao templo, para levar seus sacrificios ao Senhor (o que graças a Deus não precisamos fazer hoje,basta orar ), e em um desses anos, Ana conseguiu mudar a sua história de maneira surpreendente, :
"Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente.
E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, ao SENHOR o darei todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.
E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o SENHOR, Eli observou a sua boca.
Porquanto Ana no seu coração falava; só se moviam os seus lábios, porém não se ouvia a sua voz; pelo que Eli a teve por embriagada. " 1 Samuel 10 -13
Vemos acima a dor tão grande de uma mulher que acharam que ela estava embriagada, mas continuando o capitulo, percebemos que Deus ouviu o clamor do coração, da alma dela, e concedeu o desejo de seu coração. Quando o Sarcedote, diz pra ela ir, ela foi embora com o coração mais alegre, pois sabia que o Senhor a tinha ouvido.
Então Deus não podia ter me dado tanto conforto lendo essa passagem, quando disse que percebi a passagem diferente ,das outras vezes que eu li, eu explico:
Todas nós temos uma Penina, nos irritando todos os dias, nos deixando inseguras, e com medo e o nome dela hoje é ANSIEDADE,
Podemos dar ouvido a Penina, ou fazer como Ana, Clamar, ter esperança e descansar no Senhor,é difícil eu sei, mas concerteza não é impossível!!
Vamos clamar ao Senhor, orando uma pelas outras...
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